Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

30.7.13

>> entre o sono e o sonho.

entre o sono e o sonho,
entre mim e o que em mim
é o que eu me suponho,
corre um rio sem fim.
passou por outras margens,
diversas mais além,
naquelas curvas viagens
que todo o rio tem.
chegou onde eu habito
a casa que hoje sou.
passa, se eu me medito;
se desperto, passou.
e quem me sinto e morre
no que me liga a mim
dorme onde o rio corre –
esse rio sem fim.

fernando pessoa . cancioneiro

26.7.13

11.3.13

>> tristan tzara por man ray.


7.2.13

>> manoel de barros.


tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.



4.7.12

>> quem tem manoel na cabeça? no sesc pompéia.

a disfunção

se diz que há na cabeça dos poetas um parafuso de
a menos.
sendo que o mais justo seria o de ter um parafuso
trocado do que a menos.
a troca de parafusos provoca nos poetas uma certa
disfunção lírica.
nomearei abaixo 7 sintomas dessa disfunção lírica.

1 - aceitação da inércia para dar movimento às
palavras.
2 - vocação para explorar os mistérios irracionais.
3 - percepção de contiguidades anômalas entre
verbos e substantivos.
4 - gostar de fazer casamentos incestuosos entre
palavras.
5 - amor por seres desimportantes tanto como pelas
coisas desimportantes.
6 - mania de dar formato de canto às asperezas de
uma pedra.
7 - mania de comparecer aos próprios desencontros.

essas disfunções líricas acabam por dar mais
importância aos passarinhos do que aos senadores.


.
  
infantil

o menino ia no mato
e a onça comeu ele.
depois o caminhão passou por dentro do corpo do
menino.
e ele foi contar para a mãe.
a mãe disse: mas se a onça comeu você, como é que
o caminhão passou por dentro do seu corpo?
é que o caminhão só passou renteando meu corpo
e eu desviei depressa.
olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia.
eu não preciso de fazer razão.



manoel      ♥   ♥ 

nas tramas de manoel de barros .  nas férias de julho, o poeta inspira a programação do SESC pompéia. 
+ aqui. 

3.5.12

>> agnès varda.

19.4.12

>> the true rockers

17.4.12

>> manoelito na beira do rio.

O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.


manoel de barros.

p.s.: deu saudade dos meus quatro avós quando moravam na rua rio branco [campo grande, ms]. época de brincar e me sujar sem medo na terra vermelha da cidade morena, subir na goiabeira da casa dos avós maternos, depois atravessar a rua e ir catar tamarindo na casa dos dos avós paternos. e no final do dia tinha mate gelado batido com chipa. ô tempo gostoso.

19.3.12

>> parolagem da vida . carlos drummond de andrade


Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nuda.
Como a vida é nada.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!

>> carlos drummond de andrade, o fazendeiro do ar . curta-metragem de fernando sabino e david neves

16.3.12

>> manoel de barros.

que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
não.
parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.




trecho do poema seis ou treze coisas que aprendi sozinho
de 'o guardador de águas', ed. civilização brasileira. 

27.11.11

>>


liniers.

26.11.11

>> intimação.


- você deve calar urgentemente as lembranças bobocas de menino.


- impossível. eu conto o meu presente.

com volúpia voltei a ser menino.


carlos drummond de andrade.

6.11.11

>> quero tentar passar a mão na bunda do vento!


como o manoel de barros [memória inventadas - a terceira infância . 2008]

24.10.11

>>


the
duck
is
not
the
problem
¨>


10.10.11

>> rondó do capitão.


bão balalão,

senhor capitão,
tirai este peso
do meu coração.
não é de tristeza
não é de aflição:
é só de esperança,
senhor capitão!
a leve esperança,
a aérea esperança...
aérea, pois não!
- peso mais pesado,
não existe, não.
ah, livrai-me dele,
senhor capitão!

poema de manuel bandeira, música joão ricardo e gravação por secos e molhados.


20.9.11

>> manoel de barros.


bom era caminhar sem dono

na tarde
com pássaros em torno
e os ventos nas vestes amarelas

não ter nunca chegada
nunca optar por nada.
ir andando pequeno sob a chuva
torto como um pé de maçãs.



foto por ju.

24.8.11

>> poesia para a tardezinha.

quem anda no trilho é trem de ferro,
sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.
[manoel de barros]


19.4.11

>> florbela espanca.







imagens daqui.